Empresa de formatura passa por auditoria e estudantes temem ficar sem festa

Estudantes de faculdades públicas e particulares temem não realizar o sonho da solenidade de formatura. Formandos relatam que foram surpreendidos com a notícia de que a empresa responsável pela cerimônia de formatura, a Celebração Eventos, estaria passando por uma auditoria e estaria impedida de realizar qualquer transação financeira, seja emissão de boletos, devolução de dinheiro, quebra de contrato, entre outros.

“Descobrimos essa auditoria quando alguns alunos foram fazer o pagamento e precisavam o boleto. Disseram que não podiam emitir por conta dessa auditoria. Daí já ficamos com medo, pois logo a gente imagina que não é algo bom. A gente não quer difamar a empresa,  a gente quer um posicionamento dos gestores com relação ao que está acontecendo”, disse uma aluna que cursa o 8º período de Administração no Cesvale.

A universitária, que preferiu não ser identificada, conta que a turma fechou um pacote com a empresa de aproximadamente R$ 3 mil por aluno. A formatura dela está prevista para março de 2019.

“Isso está acontecendo não só com a gente, mas com formandos de várias faculdades e também da Uespi e Ufpi. Nosso medo é que a empresa decrete falência e a gente fique sem solenidade. Essa questão envolve não só o nosso dinheiro, mas também o nosso sonho. Só na minha turma são 26 alunos. Ficamos sabendo que a empresa tem contrato até 2022. Imagina o tanto de gente envolvida”, disse a formanda.

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Áudios gravados por alunos na empresa confirmam a informação sobre a auditoria.

No instagram oficial, a empresa publicou um post informando que “devido a finalização dos trabalhos do balanço patrimonial na Celebração Eventos, o atendimento externo está suspenso até sábado dia 24/11/2018. As solenidades previstas para essas datas continuarão a ser realizadas normalmente com o trabalho de nossa equipe”.

“Baseado no post deles ficamos com muito medo. A Celebração Eventos disse que não vai atender mais ninguém. Tentamos entrar em contato com eles, mas eles só dizem que estão em auditoria. Vamos procurar a delegacia e o Procon para denunciar. Estamos todos com medo de não termos os nossos eventos”, afirmou Thiago Amaral, vice-presidente de uma comissão de formatura que do Faculdade Ademar Rosado.

NÃO QUEREMOS DAR CALOTE

Cidadeverde.com entrou em contato com o setor jurídico da empresa que confirmou a auditoria patrimonial e financeira. Segundo o advogado Meneses Chaves, o levantamento ocorreu após a constatação de que 90% das turmas de formaturas estão inadimplentes com a empresa.

“Contratamos uma empresa que terminou o trabalho de inventário de todo o material, incluindo lustres, cadeiras […] esse levantamento apontou que 90% das turmas estavam inadimplentes. Então, a proprietária contratou uma segunda empresa para fazer outra auditoria que vai apresentar um relatório amanhã (24) com toda a análise patrimonial e financeira para saber, inclusive, quem está em dia e quem são os devedores”, explica Meneses.

Ao Cidadeverde.com, o advogado disse ainda que, mesmo com o alto índice de inadimplência, a empresa vinha cumprindo com os contratos firmados com os alunos.

“O que estava acontecendo é que se fechava uma solenidade com 40 alunos, mas ao longo do curso, 30 desistiam e só ficavam 10 que queriam uma festa como havia sido contratada com 40 alunos. O custo disse é altíssimo. Imagina 2 mil alunos ao mesmo tempo querendo a devolução do dinheiro de imediato? os formandos querem de imediato o que têm direito de receber de acordo com o que foi firmado no contrato e isso gerava uma fuga de capital muito grande. A partir de agora, a empresa só vai realizar a formatura da turma que está 100% adimplente”, esclarece o advogado.

Meneses Chaves acrescenta também que os formandos que tiverem dinheiro a receber da empresa, devido a desistência conforme firmado em contrato, receberão os devidos valores que serão repassados de acordo com a capacidade financeira da empresa.

Sobre as turmas com solenidades agendadas, o advogado frisa que a Celabração continuará honrando os contratos com as turmas que estiverem com os pagamentos atualizados.

“Existem turmas formando até sábado que estão inadimplentes e vai ocorrer tudo normal. Por outro lado, por exemplo, existe turmas na cidade de Luzilândia [no interior do Piauí] que está devendo R$ 10 e outra R$ 15 mil e a formatura já é na próxima semana. O artigo 472 do Código Civil diz que ninguém pode obrigar uma parte de cumprir um contrato, se a outra não cumpre”, acrescenta o advogado.

Ele destaca ainda que “a empresa não tem interesse em dar calote no mercado” e na próxima semana, os formados serão contatados.

“A intenção não é de dar calote no mercado. Desde o início fomos bem transparentes. A proprietária quer se manter no mercado, mas cada um tem que assumir os erros, seja a empresa, seja os devedores, seja os funcionários que são suspeitos de se apropriarem de forma indevida de recursos da empresa”, disse Meneses Chaves ao Cidadeverde.com.

Funcionários são investigados pela polícia

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(Foto: Reprodução Instagram/ Celebração Eventos)

Além da inadimplência, o advogado elenca outros fatores que contribuíram para a crise financeira na empresa. Há um ano, três funcionários foram afastados suspeitos de apropriarem indevidamente de recursos da Celebração Eventos. Um deles foi indiciado em novembro deste ano. O advogado não quis repassar os valores do suposto desvio.

“Os formandos faziam pagamentos que eram supostamente desviados por três funcionários que, inclusive, foram afastados. Além da inadimplência, isso contribuiu para a crise na empresa que é tão vítima como os alunos. De toda forma, onde a empresa for responsável vai se responsabilizar, assim como os formandos que estão inadimplentes devem regularizar o pagamento e os funcionários investigados devem se entender com a Justiça. Adianto que todo esse trabalho de auditorias está sendo feito para que não ocorra o que aconteceu com uma empresa de formaturas em Teresina há alguns anos”, finaliza Meneses Chaves.

 

Fonte: Cidade Verde

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